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Edvaldo Brito - candidato ao Senado pelo PMDB
Filho de Edite Brito, lavadeira de roupas e do pedreiro João Sobrinho, o vice-prefeiro de Salvador, Edvaldo Pereira de Brito tem cinco irmãos: Edmundo que é pedreiro, Iranildes, contadora, Eunice, professora e Ariedalva e Erival, sem profissões específicas. Nosso entrevistado tem quatro netos: Felipe, Antônio Ali, Paula e Laila. Ele é casado com Reginalda Brito, advogada e professora de Direito, desde 1963, com quem tem dois filhos, Edvaldo Brito Filho, advogado, e Antônio Brito, administrador de empresas. Nascido em Muritiba, na Bahia, ele é candidato ao senado pelo PMDB. Segue, abaixo, a entrevista que ele concedeu pessoalmente à repórter Cristiane Monteiro, assessora de imprensa da ADEP-BA:
Fale um pouco da sua infância e adolescência...
Fui um menino que começou a trabalhar aos sete anos de idade, ajudando minha mãe nos desempenhos da atividade de lavadeira de roupa. Nesse período, meu pai vivia fora de casa, no sertão baiano, trabalhando na profissão dele. Somente nas festas tradicionais de São João e Natal, ele voltava a conviver conosco. Teve um período, quando eu tinha uns 12 anos, que cheguei a trabalhar com ele. Já quebrei muita pedra pra fazer brita. Mas nunca deixei de frequentar a escola, nas faixas etárias correspondente à formação curricular, por decisiva determinação da minha mãe, que sendo analfabeta, sempre esperou um filho instruído e educado. Ela sempre falava: "Edivardo meu fio, tu tem que estudá pra ser grande homem". Fiz o ginásio em Cachoeira, distante a 8 km da cidade onde morava. Tive que andar a pé, através de uma ladeira que liga as duas cidades. Quando eu tinha uns 15 anos, mais ou menos, fui transferido para Salvador. Na época eu estudei no colégio estadual da Bahia (Colégio Central). Aqui na capital eu vivi na rua do Amparo, no Toróro, no porão de uma casa pertecente ao grande poeta Anísio Melhor. Nessa época fui tomando consciência do que ouvia de minha mãe e enfrentei as dificuldades para chegar onde cheguei.
Cursou qual faculdade? Tem alguma pós-graduação?
Sou formado em Direito pela UFBA. Ingressei na Universidade em 1958. Me formei em 1962. Fiz mestrado, doutorado e pós doutorado aqui em Salvador e em São Paulo. Sou professor emérito de duas universidades, a Mackenzie, em São Paulo, que é presbiteriana, e a UFBA.
Por que escolheu a carreira de político além da de jurista?
Para mim a política não é uma carreira. É um encargo muito nobre. Apesar de não me considerar político, mas homem público. E por não achar que é uma carreira, sou contra a reeleição em qualquer nível, tanto do Legislativo, quanto do Executivo. Acho que cada homem deveria cumprir apenas um mandato, principalmente se for levado em conta que o país tem 200 milhões de habitantes, cujo regime de governo é democrático e republicano. Por isso, lutarei com um fundamento pela reforma política.
Fale sobre sua experiência na carreira de político (para quais cargos já se elegeu e o que de mais importante fez em cada um deles).
A minha história na política começou quando ingressei na UFBA, no curso de Direito. Na oportunidade, fui eleito para todos os cargos do Diretório Acadêmico, até a presidência. Mantive a mesma conduta que tinha no colégio Central, onde estudei o ginásio, lugar inclusive que fui eleito para cargos do grêmio estudantil. Na faculdade, fui escolhido para orador da turma, da qual sou professor por concurso público de títulos e provas, onde leciono até hoje todas às segundas-feiras, no curso de pós-graduação com assiduidade e pontualidade, apesar de estar em campanha eleitoral. Aliás, mesmo quando fui prefeito de Salvador e secretário de Justiça do Estado, nunca me afastei da sala de aula. Esta é a marca da minha educação. Além dos cargos que ocupei na época de estudante, fui eleito deputado federal em 1995 e vítima de uma fraude que procurei corrigir perante a justiça eleitoral, mas não consegui por questão de formalidade, embora tivesse comprovado esse vício. Fui prefeito de Salvador por eleição indireta em 1978. Ocupei os cargos de secretário estadual de Justiça, de Educação e de Saúde na Bahia e fui também secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo, de 1997 a 2001. E fui eleito vice-prefeito de Salvador em 2008.
Qual é o seu conceito sobre magistrado, promotor, defensor público, advogado e delegado?
O Bacharel em Direito é o graduado de maior oportunidade em exercer a profissão no país. Ele pode ser advogado, magistrado, delegado de polícia, membro do Ministério Público, Defensor Público, consultor jurídico de órgãos públicos e privados, constituindo assim em uma das profissões mais importantes na sociedade, sendo o advogado definido elemento essencial a que se promova a justiça na sociedade.
Gosta de futebol? Torce para que time?
Gosto. Tenho dificuldades de escolher para qual time torcer. Minha mulher é Vitória, a parte do meu sogro era remador do clube. Já a parte do meu pai, desde o meu filho mais velho até os meus quatro netos, torcem pelo Bahia.
Que canção mais gosta ou gostaria de destacar nessa reportagem? Se mais de uma, enumere-as.
Todas que falem de amor. Me considero romântico. Só o amor vale no mundo (ouça aqui, então, "O Amor", canção de Caetano e Wally Salomão, em letra adaptada de poesia de Dostoievsky, e na voz de Gal). Sou contra qualquer sentimento que conduza a objetos materiais, porque acredito que a vida não é feita deles. Gosto de todos os cantores que venham por esse caminho. Tenho amizade com cantores da Bahia, a exemplo de Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Lazzo, e outros.
Qual seu filme inesquecível? Tem algum livro que lhe marcou? Costuma ir ao teatro, cinema, enfim, que tipo de programa mais gosta nos finais de semana?
Gosto de filmes e livros que retratem a realidade da vida. O filme que poderia destacar é "As golondrinas", um drama/romântico. Quanto aos livros, já li muita ficção. Além de ler, escrevo meus livros jurídicos. O meu predileto é "Os Limites da Revisão Constiticional". Nos finais de semana, gosto de ler jornais e revistas para me manter atualizado.
Tem algum poema predileto?
Todos que venham de Fernando Pessoa, cuja obra li também em prosa. E como não poderia deixar de citar, meu conterrâneo, Castro Alves.
O senhor bebe, fuma?
Não fumo. Só bebo socialmente. Gosto de vinho tinto.
Qual o prato predileto?
Gosto de todos os pratos baianos que minha mãe fazia com maestria e autenticidade, que são insuperáveis. Minha mãe fazia o melhor vatapá e minha esposa aprendeu com ela.
Quais as qualidades e defeitos que admira e detesta, respectivamente, nos seres humanos?
As duas sensações são falsas, porque as pessoas encontram defeito nas outras quando as ações não correspondem às suas preferências, e econtram virtudes quando encontram compatibilidade de procedimentos. Prefiro dizer que o ser humano, dotado de livre arbítrio, é fruto de suas circunstâncias, conforme nos adverte Ortega Y Gasset. E ressaltar que ruim será sempre não mudar quando mudem as circunstâncias, conforme lição de Maquiavel.
Fale o que quiser e não foi perguntado nessa entrevista!
Você acha que uma repórter do seu nível deixa de perguntar alguma coisa? Pode escrever o que estou dizendo. Quero que escreva e cumprimento-a por isso. E desejo que viva até a minha idade ou para além dela, com o mesmo vigor e com a mesma felicidade que eu tenho.
Publicada em: 14.09.2010
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